Trabalhar Remotamente

a partir de São Vicente, Cabo Verde



Foram quase 6 semanas de Nomadismo Digital

nesta pequena ilha no oceano Atlântico.


Aterrei recheada de expectativas, o primeiro erro.


Viajar é algo único, para cada pessoa, em cada momento.


É comum sucunbirmos à tentação de perguntar “e então, gostaste da viagem, como foi? Estou a pensar ir lá.”. E assim seguimos a criar as nossas ilusões do destino, baseadas na experiência de alguém completamente diferente de nós.


Cheguei àquela que seria a minha casa durante algumas semanas, um alojamento local bem perto da Praia da Laginha.



Os primeiros passos pelo paredão da cidade de Mindelo já revelavam alguns pontos que deixariam São Vicente marcado pela negativa.


A cada passo um “hello”, “you’re so beautiful” e qualquer outra forma de assédio verbal. Esta realidade é algo que me incomoda profundamente pois além da minha liberdade ficar condicionada, transpõe uma sensação de perigo iminente à medida que homens estranhos me seguem com os olhos enquanto me dirigem palavras que não me fazem sentir elogiada como pessoa ou mulher.



Apesar de tudo, no primeiro dia a rotina estava orientada.



Reservei o Espaço de Cowork para os dias que estaria a trabalhar.

Paguei a mensalidade do ginásio onde iria conseguir fazer os meus treinos a cada semana.

E o último ponto, alimentação, ficaria entregue aos supermercados Fragata de Mindelo e ao supermercado bem perto de casa, o Branco.


As várias semanas de trabalho desenrolaram-se sem eventos de nómadas digitais.


As pessoas que como eu trabalhavam no Cowork eram essencialmente locais, viviam em São Vicente, mesmo que não fossem cabo-verdianos. Este ponto, ou a falta dele neste caso, é fulcral. Sem pessoas, sem comunidade, a viagem perde muito.



Felizmente, algumas amigas que já conheciam a ilha iriam estar lá na mesma altura e isso tornou a minha viagem completamente diferente. E maravilhosa!


Durante o dia, para recuperar do trabalho, bastava um mergulho na Praia da Laginha, o seu azul delicioso.


Nos dias de folga, era hora de conhecer a ilha, fazer o circulo em toda a sua volta para conhecer a Baía das Gatas, Salamansa, Praia Grande. Um dos dias decidi alugar uma scooter sozinha, mas depois de 4 polícias me dizerem que não era seguro, desisti e regressei para a devolver. É com muita pena e tristeza que vejo isto a acontecer numa ilha tão bonita.


Acompanhada, por locais, ainda consegui visitar alguns sítios mais remotos e sentir a verdadeira alma de São Vicente.


Um dos pontos altos da viagem foi também a oportunidade de conhecer a pérola ao lado, Santo Antão. Uma ilha recheada de natureza, verde, montanhosa, deliciosa ao olhar. Um ambiente mais sereno, humilde e bondoso. Recomendo como visita obrigatória se um dia passares por São Vicente.



Além da exploração das ilhas, houve também tempo para provar várias cachupas e o delicioso gelado de Kamoka!


Uma característica que São Vicente demonstra muito bem, é a sua música. Desde o pianista da Cesário Évora a tocar no JazzyBird a cada noite à música ao vivo no Café Mindelo, enquanto comia uns búzios deliciosos.


Também há muita festa em São Vicente, desde o mais elegante convívio no Martini Sunset ao celebrar mais local na Crystal.



Se realmente quiseres mergulhar na cultura e vibração de São Vicente, estes são os locais onde ir, mas...

Espaço de cowork de onde trabalhei durante as várias semanas.


Primeiro, faz amizades, conhece as pessoas certas e permite que elas te conheçam. Não é fácil ou rápido, é preciso tempo para criar a conexão. Mas acredito que irás conseguir, um dia de cada vez.


Viajar sozinha é desenvolver a nossa intuição. Confiar na minha manteve-me segura e evitou muitos desconfortos. Melhora com o tempo!



Em conclusão, Cabo Verde foi uma experiência difícil, algo solitária e com alguma revolta contra comportamentos machistas. Mas as coisas boas demoram tempo e decidi confiar.


Assim foi, deixei São Vicente mais serena, envolta num abraço forte e com a decisão de priorizar mais as minhas relações humanas.


Cheguei a Portugal e coloquei de lado o computador mais vezes. Jantar com os meus pais, estar com a minha sobrinha, dar o meu tempo aos meus amigos.


E por isso, estou eternamente grata a São Vicente. 🤎




Se tiveres alguma dúvida em viajar, trabalhar remotamente ou como encontrar a carreira que te permite desfrutar do estilo de vida que queres para ti, envia para a nossa equipa (info.tekya@gmail.com), teremos todo o gosto em ajudar-te.

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